14 de abr. de 2008


Chuva atinge 540 mil pessoas no NE



BRASÍLIA - A ajuda do governo federal para os Estados do Nordeste atingidos pelos temporais das últimas semanas ainda não decolou. Segundo a Secretaria Nacional de Defesa Civil, só foram liberados R$ 30 milhões dos R$ 613,7 milhões previstos na medida provisória assinada pelo governo para atender os desabrigados. A secretaria ainda aguarda um levantamento para saber como os recursos foram divididos, mas informa que Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco foram contemplados. Segundo a Defesa Civil, 540.790 pessoas já foram afetadas pelas chuvas na região.

A Defesa Civil sustenta ainda que o dinheiro é suficiente para adquirir 82 toneladas de alimentos, que devem durar 15 dias. A recomendação do governo é para que os alimentos sejam entregues para famílias de até cinco pessoas. O último balanço da Defesa Civil indica que 450 mil pessoas foram atingidas pelas chuvas. Quanto aos prejuízos, o governo ainda espera um relatório de cada Estado.

De acordo com a MP negociada entre o presidente Lula e seis governadores do Nordeste na semana passada, R$ 540 milhões foram destinados ao Ministério da Integração Nacional para socorro às vítimas, ações de prevenção e reabilitação de cenários de desastres, e outros R$ 73,7 milhões para obras emergenciais em rodovias dos estados mais atingidos por meio do Ministério dos Transportes.

Paraíba

O Estado da Paraíba registra 101 municípios em estado de emergência por conta das chuvas, segundo informações da Defesa Civil. Este número é quase metade do total das cidades da Paraíba, que chegam a 223. O governo local está providenciando, em caráter de urgência, o transporte de 5.800 cestas básicas para serem distribuídas entre os mais de 17 mil desabrigados e desalojados.

Total de atingidos

A Sedec divulgou na tarde desta segunda-feira que 540.790 pessoas já foram afetadas pela chuva. Foram contabilizados 46.585 desalojados e 71.373 desabrigados. São 299 municípios afetados nos seis Estados nordestinos: Ceará (33), Maranhão (40), Paraíba (101), Pernambuco (42), Piauí (35) e Rio Grande do Norte (48).

A Defesa Civil Nacional já disponibilizou 828 toneladas de alimentos para os Estados do Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. Os alimentos foram divididos em cestas de 23 quilos com arroz, feijão, açúcar, óleo, leite em pó, farinha de mandioca e macarrão. Também foram enviados 20 kits de medicamentos para o Ceará, Maranhão, Paraíba e Piauí. Cada kit é suficiente para atender 500 pessoas.


12 de abr. de 2008

DENGUE - O RETORNO


Estado do Rio tem 80a morte por dengue;por enquanto , casos superam os de 2007




O número de casos de dengue notificados no Rio de Janeiro este ano supera em quase 9 mil o total de 2007, informou nesta quinta-feira a Secretaria Estadual de Saúde, que confirmou a 80a morte em decorrência da doença no Estado.

No ano passado, 66.553 pessoas contraíram dengue no Rio, com 31 óbitos, ante os 75.399 casos de dengue notificados oficialmente até esta quinta-feira. Além das 80 mortes, outras 79 estão sendo investigadas por suspeita de dengue.

Na capital, onde já ocorreram 47 mortes pela doença este ano, os 45.463 casos superam em muito os 25.107 do ano passado, quando 26 pessoas morreram na cidade no ano inteiro.

Desta vez, a enfermidade tem se mostrado mais letal do que em 2002, quando aconteceu a pior epidemia de dengue no Estado. Naquele ano, aconteceram 288.000 casos e 91 mortes ao longo do ano, mostrando uma letalidade inferior à atual.

"O último aumento não indica que tenha se agravado, já que as mortes não aconteceram nos últimos dias, mas sim foram confirmadas agora como causadas pela dengue", disse um funcionário da Secretaria de Saúde do Estado por telefone.

Entretanto, a epidemia está sendo mais grave do que a de 2002 porque predommina o tipo 2 do vírus, que resulta na altamente letal dengue hemorrágica, segundo a secretaria. A faixa etária entre 15 e 49 anos é a mais afetada, mas a dengue provocou mais mortos por enquanto em crianças de até 15 anos, com um total de 97 mortes, informou a secretaria em seu último relatório oficial de casos de dengue.

Nesta semana, o Exército iniciou uma operação de combate a focos de reprodução do mosquito "Aedes aegypti" nas ruas do Rio de Janeiro, mas especialistas acreditam que a medida não tem validade efetiva.

Uma vez que a epidemia já está instalada, seria necessário matar o mosquito adulto com o uso de inseticidas, segundo pesquisadores, mas apenas 17 fumacês (carro usado no combate ao mosquito) estão em ação na cidade -- menos da metade dos 35 que operaram em 2002.

As autoridades fluminenses esperam que, além das medidas emergenciais tomadas para deter a doença, a queda de temperatura nos próximos meses, depois de um verão quente e úmido, ajude a conter a epidemia.

Em 2002, os casos caíram abruptamente a partir de abril. Enquanto março teve 99.861 casos notificados, em abril o número caiu para 31.642, e em maio foram 7.208.

"Quando baixar a temperatura, o clima vai favorecer na contenção da epidemia", disse a fonte da secretaria.


O que é a Dengue

Aedes aegypti - (Foto: Genilton Vieira/IOC/Fiocruz)A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, a dengue é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo.
Tipos de Dengue

Em todo o mundo, existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.

No Brasil, já foram encontrados da dengue tipo 1, 2 e 3. A dengue de tipo 4 foi identificada apenas na Costa Rica.
Formas de apresentação

A dengue pode se apresentar – clinicamente - de quatro formas diferentes formas: Infecção Inaparente, Dengue Clássica, Febre Hemorrágica da Dengue e Síndrome de Choque da Dengue. Dentre eles, destacam-se a Dengue Clássica e a Febre Hemorrágica da Dengue.

- Infecção Inaparente
A pessoa está infectada pelo vírus, mas não apresenta nenhum sintoma. A grande maioria das infecções da dengue não apresenta sintomas. Acredita-se que de cada dez pessoas infectadas apenas uma ou duas ficam doentes.

- Dengue Clássica
A Dengue Clássica é uma forma mais leve da doença e semelhante à gripe. Geralmente, inicia de uma hora para outra e dura entre 5 a 7 dias. A pessoa infectada tem febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjôos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal (principalmente em crianças), entre outros sintomas.

Os sintomas da Dengue Clássica duram até uma semana. Após este período, a pessoa pode continuar sentindo cansaço e indisposição.

- Dengue Hemorrágica
A Dengue Hemorrágica é uma doença grave e se caracteriza por alterações da coagulação sanguínea da pessoa infectada. Inicialmente se assemelha a Dengue Clássica, mas, após o terceiro ou quarto dia de evolução da doença surgem hemorragias em virtude do sangramento de pequenos vasos na pelo e nos órgãos internos. A Dengue Hemorrágica pode provocar hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas.

Na Dengue Hemorrágica, assim que os sintomas de febre acabam a pressão arterial do doente cai, o que pode gerar tontura, queda e choque. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte.

- Síndrome de Choque da Dengue
Esta é a mais séria apresentação da dengue e se caracteriza por uma grande queda ou ausência de pressão arterial. A pessoa acometida pela doença apresenta um pulso quase imperceptível, inquietação, palidez e perda de consciência. Neste tipo de apresentação da doença, há registros de várias complicações, como alterações neurológicas, problemas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural.

Entre as principais manifestações neurológicas, destacam-se: delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia, paralisias e sinais de meningite. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte.

4 de abr. de 2008

HOMEM TRANS GRÁVIDO ??


Thomas Beatie, o transexual masculino que tem chamado a atenção do mundo todo por ter engravidado, descobriu nesta quinta-feira (03/04) o sexo de sua criança: será uma menina.

O trans que ganhou notoriedade após um relato na revista gay norte-americana The Advocate, participou hoje das gravações do programa “The Oprah Winfrey Show”. Durante a atração, Thomas realizou um ultra-som.

A médica Kimberly James, que atendeu Thom, afirmou que o bebê é saudável e disse que o nível hormonal do paciente é estável. “É um milagre. É o nosso milagre”, afirmou o trans.

Nancy, a esposa de Thomas, também participou do programa. Suas filhas do primeiro casamento declararam apoio ao casal. “Eles são um casal incrível. Eles se amam muito e são um exemplo para mim e meu marido”, afirmou Amber, uma das filhas de Nancy. “Me dá um pouco de medo saber como as pessoas vão reagir. Não sei como o mundo está preparado para isto. Mas nós somos uma família comum”, completou.

O programa de Oprah será exibido amanhã em Nova York, Estados Unidos às 16h (17h de Brasília).

O caso

Thomas nasceu mulher, mas trocou de sexo há oito anos. Quando fez a operação ele apenas se submeteu a uma mastectomia – cirurgia para remoção dos seios. Continuou com sua vagina e seu aparelho reprodutivo e começou uma terapia com testosterona – o hormônio masculino.

Como no passado sua esposa passou por uma cirurgia de retirada do útero, quando o casal decidiu formar uma família, coube a ele engravidar. Thomas parou de tomar suas doses regulares de testosterona e voltou a ovular, não foi preciso tomar remédios para aumentar sua fertilidade.


PARTICULARMENTE ACHO UMA ABERRAÇAO HUMANA....

31 de mar. de 2008

O NOVO BIG - BANG

Cientistas abriram um processo contra o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern, sigla em francês), localizado em Genebra, para impedir uma grande experiência da física que permitirá um estudo sobre como foi o big-bang, na qual dois átomos se chocarão a uma velocidade próxima à da luz e, teoricamente, reproduzirá a explosão. As informações são da Agência Estado.


Getty Images
Imagem ilustra a formação dos planetas após a explosão do big-bang

Em quatro pontos, estes feixes de protóns se chocarão entre si em enormes aceleradores, cuja missão consiste em analisar a cada segundo as partículas resultantes da colisão de dois milhões de prótons em condições semelhantes às registradas depois do big-bang, a grande explosão que deu origem ao nosso universo.

As colisões poderão criar a chamada "energia negra", que compõe 96% do universo.

Esta perspectiva causa preocupação entre as pessoas que temem que a experiência faça o planeta desaparecer numa espécie de grande buraco negro.


Uma audiência foi marcada para o dia 16 de junho em Honolulu, no Havaí. Na corte federal da ilha, segundo a Agência Estado, os cientistas Walter Wagner e Luis Sancho já adverteram sobre a possibilidade do buraco negro ou de que a experiência produza algo que acabe engolindo a terra. O processo também acusa o laboratório na fronteira entre a Suíça e a França de não ter feito os estudos ambientais necessários e que as conseqüências do teste poderiam ser fatais. A data da experiência ainda está para ser determinada, mas será entre julho e agosto.

A experiência

Localizado a 100 metros debaixo de uma planície suíça, o Grande Acelerador de Partículas, o maior instrumento científico jamais construído, emerge como uma catedral de aço destinada a desvendar os mistérios da criação do universo. Sua entrada em funcionamento está prevista para o segundo semestre do ano.

"É uma sensação fantástica, é como esperar por um bebê que vai nascer, só que demorou 19 anos ao invés de nove meses", comenta, entusiasmado, Daniel Denegri, chefe do CMS (detector de partículas), uma das quatro experiências de física das partículas realizada pelo Cern, dentro do chamado projeto "Grande Acelerador de Hadrones (LHC, sigla em inglês).

O Cern foi fundado em 1954, num dos primeiros esforços comuns europeus, e é o maior centro de pesquisas de física de partículas do mundo.


AFP
Cientistas trabalham em imã supercondutor
No momento, os técnicos comemoram o fato de preparar os aceleradores, sendo que o maior deles, o Atlas, mede 25 metros de diâmetro por 46 metros de largura.

Mais de 10 mil pesquisadores de 500 institutos do mundo inteiro trabalham neste projeto avaliado em 3,9 bilhões de euros.

"O fascinante é ter conseguido montar tudo isso com engenheiros e físicos do mundo inteiro", comenta Niko Neufeld, um dos coordenadores do projeto, acrescentando que todos trabalharam juntos, incluindo israelenses e palestinos.

Igualmente espetacular é a sala de informática do Cern e seus três mil computadores que deverão selecionar um bilhão de informações enviadas a cada segundo pelos aceleradores.

O Cern está conectado a quase 100 centros de pesquisas do mundo que participam na análise dos dados.

Dois dos aceleradores, o CMS e o Atlas, competem entre si para detectar o Santo Graal da física: o bóson de Higgs, uma partícula descoberta por dedução, em 1964, e cuja existência não foi demonstrada ainda. Os primeiros que conseguirem isso poderão levar o Prêmio Nobel.

A grandiosidade do LCH, que será inaugurado oficialmente em outubro, dá uma espécie de vertigem aos cientistas.



No interior do túnel, os técnicos circulam de bicicleta por um interminável tubo de hélio líquido. Este gás permitirá esfriar os ímãs supercondutores até uma temperatura de 271 graus negativos para orientar os feixes, um na direção do outro. Dentro dos aceleradores, a temperatura superará a do Sol.

9 de mar. de 2008

CÉLULAS TRONCO..QUE É ISSO MESMO?


CÉLULAS-TRONCO



Nos últimos anos o assunto “células-tronco” tem sido muito debatido, e é objeto freqüentemente exposto na mídia. Como a maioria das grandes novidades, esta área está sendo superestimada se for considerada a realidade atual, entretanto não há dúvidas de que as suas potencialidades são enormes, e pode-se esperar um novo tipo de Medicina a partir da evolução dessas pesquisas. Na verdade, o que se tem hoje é uma série de perspectivas e os resultados obtidos nas experiências em animais de pequeno porte não podem, ainda, ser extrapolados para a espécie humana. Experiências clínicas têm, entretanto, mostrado resultados alentadores. Os diferentes tecidos são formados por células com características diversas. Por exemplo: o tecido muscular está constituído por células especializadas em contração, os miócitos. O tecido ósseo está constituído por osteoblastos, o tecido nervoso por neurônios, e assim por diante. Quando uma das primeiras células do embrião sofre uma mitose e se divide, as duas células resultantes têm a mesma constituição genética e as mesmas características. A embriogênese progride com a contínua multiplicação das células, aumentando o número das mesmas e o tamanho do embrião. O interessante é que dentro da célula mais primitiva, o zigoto, existe informação suficiente para que, na medida em que essas células forem se dividindo, aos poucos ocorra uma diferenciação, originando diferentes linhagens que formarão diferentes tecidos como: muscular, ósseo, nervoso, etc. No interior do núcleo desta célula primitiva existe uma bagagem gênica completa, com capacidade de transmitir as informações necessárias para toda a vida do futuro ser que esta célula originará. Em um determinado momento, nesta contínua série de divisões mitóticas, inicia um processo denominado diferenciação celular. Este processo é de extrema importância pois permitirá que novas linhagens celulares passem a existir e já iniciem a estruturação de um complexo organismo. Este fenômeno de diferenciação celular permite, em última análise, que a célula resultante da divisão seja diferente da antecessora. Durante muito tempo, os biólogos ensinavam a mitose como sendo a divisão de uma célula em duas exatamente iguais. Há relativamente pouco tempo, com os novos entendimentos propiciados pela moderna biologia celular, foi sendo definido um novo tipo de mitose. A mitose assimétrica. O conhecimento desta mitose assimétrica permitiu a ideação de um tipo de célula com características especiais. Esta célula ao se dividir origina uma célula que se diferencia e outra que mantém as mesmas características da original. Desta maneira, ela pode se diferenciar em outra, ao mesmo tempo em que pode manter suas características primordiais. Esta manutenção de características permite, no organismo adulto, que haja um grupo de células que ainda mantêm características ancestrais, ou precursoras, ou tronco. Por essa razão são denominadas células-tronco. Este fato, que constantemente está ocorrendo em nosso organismo, possibilita um processo reparatório fantástico, fazendo-nos prever sua utilização em oportunidades diversas. Este fenômeno da diferenciação, ou não, das células no processo divisório, acrescido da existência, no adulto, de células precursoras, permite uma multiplicidade de situações que necessita avaliação detalhada, objeto desta revisão inicial. Existem na atualidade discussões éticas de grandes proporções que necessitam ser abordadas ao se estudar as células-tronco. Serão avaliadas pormenorizadamente no decorrer desta análise. FUNDAMENTOS TEÓRICOS Após a fecundação, a célula formada é denominada zigoto. O zigoto é uma célula totipotencial, ou seja, tem a capacidade de originar todo o indivíduo, com a sua complexa estruturação diferenciada. Depois das primeiras divisões celulares, as células resultantes são também totipotenciais. Se estas células se separarem, a continuidade de desenvolvimento de cada uma independentemente dará origem a gêmeos idênticos ou univitelinos, provando sua totipotencialidade. No decorrer da embriogênese, na medida em que ocorrem sucessivas mitoses vai se formando um conjunto celular denominado blastocisto. O grupamento celular central deste conglomerado apresenta células com capacidade de gerar qualquer outra célula, e por isto são consideradas pluripotenciais. A diferença essencial entre uma célula totipotencial e outra pluripotencial é o fato de que a primeira (totipotencial) poderia até originar um novo indivíduo, enquanto que a segunda (pluripotencial) não teria essa capacidade. Ambas, têm a capacidade de gerar qualquer outra célula. Tanto as células totipotenciais como as pluripotenciais são células-tronco. Durante o desenvolvimento embrionário elas serão as células-tronco embrionárias. Por outro lado, no indivíduo adulto, as células que mantêm as características pluripotenciais são as células-tronco adultas. Na atualidade, a identificação, a separação, o isolamento e a cultura das células-tronco já é uma realidade. Este fato permite que se possa inferir seu aproveitamento terapêutico. Existem vários questionamentos quanto às células-tronco. Onde estariam “guardadas” no organismo adulto? Quando entrariam em funcionamento (divisão)? Que agentes poderiam ser indutores desse processo divisional? A potencialidade dessas células poderia ser aproveitada em um processo reconstrutivo? Com finalidade meramente didática e especulativa imagine-se, por exemplo a revolução em termos médicos que os seguintes feitos poderiam desencadear: células-tronco ou células isoladas seriam implantadas em determinada área e estimuladas a iniciar sua multiplicação, reconstruindo um órgão perdido. Desta maneira, um braço, ou uma perna ou um fígado ou mesmo um coração, (pelo menos teoricamente) poderiam ser construídos. É indispensável, entretanto, a percepção de que a realidade atual é completamente diversa. Acredita-se que um longo período ainda será necessário para a concretização desses sonhos. O controle do estímulo à divisão e diferenciação dessas células ainda está longe de ser uma rotina nos laboratórios. Quanto à utilização de células-tronco adultas, ou embrionárias, várias discussões éticas poderiam ser estabelecidas. O uso de células-tronco adultas seria definido como a retirada de um grupo de células-tronco de determinada região do organismo de um paciente e seu aproveitamento no próprio individuo. A medula óssea do individuo adulto é uma zona extremamente rica nessas células e, por isso, freqüentemente usada como fonte de células-tronco transplantadas para o mesmo indivíduo. Quanto ao uso de células-tronco embrionárias, várias discussões podem entrar em cogitação. Nesta situação, a retirada das células é realizada em embriões com poucos dias de desenvolvimento. Esta retirada é feita na maioria das vezes com o sacrifício do embrião, o que estabelece um dilema ético. Grandes discussões têm sido realizadas sobre este dilema. Grupos religiosos, de especialistas em ética e de cientistas estão há bastante tempo discutindo de maneira mais ou menos veemente este problema. O sacrifício do embrião doador destas células totipotenciais, ou mesmo pluripotenciais, cria uma situação extremamente delicada e de difícil consenso. Por estas razões apontadas, esta revisão do possível aproveitamento dessas células, a partir desse momento passa a ser exclusivamente direcionada ao estudo das células-tronco adultas. Como foi afirmado anteriormente, as células-tronco adultas estão distribuídas em várias regiões do organismo, e mantêm sua potencialidade reprodutiva. Reiterando essa afirmativa: como estas células mantêm esta capacidade durante toda a vida do individuo, a qualquer momento poderiam tornar-se utilizáveis em relação à necessidade de seu aproveitamento em um determinado processo regenerativo. Na medula dos ossos longos existe um nicho de células-tronco com constância e em quantidade suficiente para aproveitamento. Por outro lado, a retirada destas células pode ser realizada com relativa facilidade por uma punção de osso ilíaco. Em laboratório estas células podem ser separadas por centrifugação, e pipetagem. Uma vez separadas, estas células pluripotenciais são injetadas de novo no organismo. Por sua pluripotencialidade elas têm a capacidade de migrar pela corrente circulatória, e aderir em zonas onde haja a necessidade de reparação. Inicia-se então um processo regenerativo cuja magnitude está sendo clareada no momento atual. PERSPECTIVAS DE APROVEITAMENTO CLÍNICO Várias áreas da Medicina estão em período experimental de aproveitamento de células-tronco. Uma resenha das principais e mais consistentes experiências com o seu aproveitamento será apresentada a seguir: Neoangiogênese A formação de novos vasos sangüíneos a partir do uso de células-tronco está sendo cada vez mais evidenciada. Em revascularização de retalhos existem vários trabalhos pioneiros em andamento. No Serviço de Cirurgia Plástica da Santa Casa de Porto Alegre, coordenado pela equipe da disciplina de Cirurgia Plástica da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre, está aprovado pela CONEP um trabalho pioneiro de revascularização de retalhos com a utilização de células-tronco. Cardiologia A equipe da UFRJ desenvolve, também, trabalhos na linha de tratamento de cardiopatias, em parceria com o Hospital Pró-cardíaco, no Rio de Janeiro. Nesses estudos, foram realizados os transplantes de células-tronco adultas em 20 pacientes que aguardavam o transplante cardíaco. Do total de transplantados, 16 pacientes foram estudados por um longo prazo, demonstrando que a terapia celular trouxe consideráveis melhoras clínicas Neurologia Em 2002, foram apresentados resultados de experimentos em ratos adultos, com células-tronco isoladas do sistema nervoso central transplantadas, que apontaram a possibilidade de tratamentos futuros para doenças neurodegenerativas. Outras linhas de pesquisa com células-tronco também apresentam resultados promissores, entre elas a do tratamento de lesões traumáticas em que se utiliza uma injeção local de células-tronco medulares. Um estudo feito pela equipe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), conseguiu recriar impulsos elétricos entre a região lesada e o cérebro, pela aplicação de células-tronco medulares. Ortopedia As aplicações das células-tronco estendem-se, também, à engenharia biotecidual, que utiliza o rápido potencial de crescimento apresentado pelas células-tronco para a obtenção de tecidos, tais como ossos, pele e cartilagem, que são cultivados e reimplantados nos pacientes em casos de lesões. Este procedimento já é realizado no Hospital das Clínicas da UFRJ, pela equipe do pesquisador Radovan Borojevic. A equipe trabalha também em estudos envolvendo o tratamento de grandes lesões ósseas, as quais não têm possibilidade de regeneração espontânea. Nesses casos, são utilizadas células-tronco medulares injetadas em matrizes ósseas humanas, que permitem que as células-tronco se diferenciem em células ósseas, promovendo a regeneração do tecido lesado. Endocrinologia Estudos têm sido realizados em pacientes com diabete tipo 1. Essa doença é causada pela redução de disponibilidade ou perda de sensibilidade à insulina, hormônio que regula os níveis de açúcar no sangue e é secretado pelo pâncreas. A partir de células pancreáticas de órgãos doados, os pesquisadores conseguiram a maturação in vitro de células-tronco de ilhotas. Dos 38 pacientes que se submeteram ao transplante, após um ano, 33 estavam livres da terapia com insulina. São relatos isolados entretanto de extraordinária importância se for analisada a possibilidade de cura dessa doença. Fica clara a necessidade de cautela no entendimento destas extraordinárias possibilidades de uso. INVESTIMENTOS INTERNACIONAIS EM PESQUISAS SOBRE células-tronco Segundo Carlos Vogt, publicado em 2002 no Com Ciência, nesse ano o governo norte-americano destinou mais de 387 milhões de dólares para pesquisas com células-tronco, nas 20 instituições de pesquisa integrantes do NIH. Esse orçamento dividiu-se em pesquisas que utilizam células-tronco adultas e embrionárias de linhagens autorizadas, de humanos e de animais. O Instituto Nacional do Câncer foi o centro com maior gasto em pesquisas com células-tronco adultas, cerca de 70 milhões de dólares. O Instituto Nacional de Diabetes e de Doenças Digestivas e Renais foi o que mais utilizou recursos federais para pesquisas com células derivadas de embriões, com investimentos chegando a quase 4 milhões de dólares. Segundo Don Ralbovsky, do escritório de comunicações do NIH, não existe um levantamento de dados sobre o investimento privado em pesquisa com células-tronco nos EUA. "Provavelmente algumas companhias estão empenhadas em reunir dados a esse respeito, mas elas não divulgam seu balanço financeiro". O orçamento do NIH para 2004 foi de US$ 27,89 bilhões. Estima-se que mais de 60% tenha sido gasto em pesquisa básica. Em comparação, no ano de 1997 as indústrias farmacêutica e de biotecnologia gastaram US$ 27 bilhões em pesquisas biomédicas. Em 1990, somente 14% do orçamento do setor foi aplicado em pesquisa básica, de acordo com relatório do Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA. O governo norte-americano também tem investido em pesquisas com outros tipos de células-tronco. Em 2001, juntamente com o anúncio presidencial da restrição de fundos para as pesquisas com células embrionárias, o governo destinou cerca de US$ 250 milhões para pesquisas com células-tronco adultas obtidas de cordões umbilicais, placentas e de animais. No início do ano de 2002, o presidente George Bush assinou lei destinando US$ 10 milhões para a criação do Programa para o Banco Nacional de Células-Tronco de Cordão Umbilical (National Cord Blood Stem Cell Bank Program). A decisão beneficiou diretamente a empresa ThermoGenesis Corp., que desenvolveu a tecnologia para processamento, conservação, estocagem e coleta de células-tronco derivadas de placentas e cordões umbilicais. A quantia inicial foi utilizada para a criação de unidades de bancos com esse tipo de células-tronco em todo o país. Estima-se que sejam gastos cerca de US$ 150 milhões para a criação de 150 mil dessas unidades. PROJEÇÕES FUTURAS No Serviço de Cirurgia Plástica da Santa Casa de Porto Alegre, coordenado pela equipe da disciplina de Cirurgia Plástica da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre, foi criado um projeto de estudos continuados sobre células-tronco. Denominado GESC (Grupo de Estudos Stem Cells), o grupo tem uma periodicidade quinzenal de reuniões, onde são realizados seminários sobre o assunto. A presença da pesquisadora e internacionalmente conhecida profª dra Nance Nardi, como integrante e orientadora do grupo, tem permitido importante evolução do conhecimento na área. Os planos incluem um centro de pesquisa clínica e de difusão do conhecimento sobre células-tronco. SERÁ O INICIO DE UMA NOVA ERA,COM NOVOS SERES HUMANOS ENCONTRAREMOS ASSIM A PERFEIÇÃO? A VIDA SEM DOENÇAS?QUEM VIVER VERA...