4 de ago. de 2007

CHUVAS FATAIS


Sexta, 3 de agosto de 2007, 15h39
Chuvas deixam milhões de desabrigados no sul da Ásia

Azad Majumdar


Pelo menos 216 pessoas morreram em decorrência das enchentes causadas pelas monções no sul da Ásia nos últimos dez dias, disseram autoridades na sexta-feira, e mais de 10 milhões estão desabrigadas ou ilhadas, muitas delas sem acesso à assistência médica.

Com isso, cresce o risco do aparecimento de doenças trazidas pela enchente. Algumas pessoas foram vítimas de mordidas de cobras, outras sofreram ferimentos por causa do desabamento das casas, e muitas se afogaram.

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) disse que as inundações estão levando o caos à região e podem ser as piores de uma geração inteira em algumas regiões.

"A escala das enchentes e o número enorme de pessoas afetadas representa um desafio sem precedentes para a assistência humanitária", disse o Unicef.

A infra-estrutura médica rural desapareceu em muitas regiões. No estado de Bihar, na Índia, várias mulheres deram à luz a natimortos em áreas afetadas.

"Há muito pouco o que fazer, já que quase metade dos 315 centro de saúde dos distritos remotos estão inundados", disse Baidyanath Singh, uma autoridade da área da saúde. Os moradores de Bihar, que tem cerca de 90 milhões de habitantes, dizem estar enfrentando falta de remédios e de alimentos.

Em Bangladesh, quase metade do país está sob as águas. A inundação chegou a afetar as partes mais baixas da capital, Daca. "A situação está piorando a cada hora que passa", disse o jornalista Biplob Chakravarty, da cidade de Manikganj, ao norte da capital.

As autoridades afirmaram que mais de 300 mil hectares de lavouras foram afetados.

No Estado de Assam, no nordeste da Índia, há quase 3 milhões de desalojados. Milhares estão acampados em estradas e margens de rio, nos poucos espaços não afetados pela inundação. Helicópteros e barcos militares tentam levar comida, água potável e remédio até eles.

No leste do Estado mais populoso da Índia, Uttar Pradesh, as enchentes inundaram quase 300 vilarejos. No oeste do país, vôos e trens sofreram atrasos por causa das chuvas no centro financeiro de Mumbai, onde a água chegava até o joelho das pessoas.

2 de ago. de 2007

CALOR QUE MATA..IV



Europa
Terça, 24 de julho de 2007,
Onda de calor na Romênia já matou trinta pessoas

O número de mortos na onda de calor que atinge há uma semana a Romênia, onde as temperaturas chegaram a 43ºC à sombra, chegou a 30, após a descoberta de 12 novos corpos nas últimas 24 horas, informou hoje o ministro da Saúde Pública, Eugen Nicolaescu.

O ministro afirmou que todas as mortes estão dentro da "definição do caso de hipertermia". Pelo menos cinco das últimas vítimas tinham mais de 70 anos e não respeitaram os insistentes alertas das autoridades para não se expor ao calor nas horas de pico.

Nicolaescu disse que 869 pessoas foram encontradas desmaiadas nas ruas em todo o país, 15% a mais que no dia anterior, enquanto as ligações para serviço de emergência chegaram a 18.942, uma alta de 20% em relação a segunda-feira. Hoje, ao meio-dia, o termômetro da Praça da Universidade em Bucareste indicava 55ºC.

Passageiros de um bonde sem ar-condicionado impediram um grave acidente hoje na capital, após o condutor ter desmaiado devido ao calor de 60ºC na cabine.

O fornecimento de energia foi interrompido durante várias horas em alguns dos distritos de Bucareste devido ao consumo excessivo, que superou os mil mW, enquanto a exportação de energia elétrica foi reduzida em 20%.

As atividades econômicas e comerciais em espaços abertos continuam suspensas entre as 11h e as 18h, e foram mantidas as restrições de velocidade do tráfego ferroviário e dos caminhões superiores a 7,5 t nas estradas.

As salas dos teatros e cinemas se somaram hoje aos espaços para primeiros socorros aos afetados pelo calor, junto com as igrejas, as farmácias, os consultórios médicos e as tendas instaladas nas ruas. No sul extremo da Romênia foram registradas temperaturas de 42ºC e 43ºC.

EFE

CALOR QUE MATA...III O INICIO DO INFERNO


Mundo vive maior fase de calor dos últimos 1,2 mil anos

Paul Rincon



Altas temperaturas são mais freqüentes e atingem todo o globo
O hemisfério norte experimentou as ondas de calor mais freqüentes dos últimos 1,2 mil anos, de acordo com uma pesquisa publicada na revista Science.

A constatação dá mais força aos que defendem que o aquecimento global imprecedente e recente está ligado à atividade humana no planeta.

Uma equipe da Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, mediu mudanças em anéis de troncos de árvores, em conchas fossilizadas e no gelo, que permitem descobrir temperaturas máximas através do tempo.

Eles também estudaram diários pessoais dos últimos 750 anos, escrito por moradores de países como Holanda e Bélgica, e relatando o congelamento dos canais. E concluíram que há um aquecimento inédito e recente.

Pequena Idade do Gelo

Os pesquisadores Timothy Osborn e Keith Briffa analisaram medidas de temperatura tomadas por instrumentos desde 1856, para definir a quando o aquecimento começou.

E em seguida compararam também evidências de outras fontes, datando até o ano 800 d.C.

As análises confirmaram período de aquecimento significativo no hemisfério norte dos anos 890 a 1170 , o chamado período de aquecimento medieval. E constataram períodos de esfriamento, como o que ocorreu entre 1580 e 1850 - a pequena Idade do Gelo.

Mas apesar dos períodos anteriores de oscilação, a equipe mostrou que o atual aquecimento do planeta é mais freqüente e a mais longa anomalia de temperatura de qualquer tupo desde o século IX.

"Os últimos 100 anos são mais surpreendentes que os períodos de grandes flutuações anteriores. O aquecimento é global e afeta quase todos os registros analisados", afirmou Timothy Osborn.

Em novembro, a mesma publicação divulgou um estudo demonstrando que os níveis de gás carbônico e metano na atmosfera eram os mais altos dos últimos 650 mil anos.




Terça, 24 de julho de 2007, 14h04
Onda de calor mata 500 húngaros, diz governo


Uma onda de calor na Hungria provocou cerca de 500 mortes, informou nesta terça-feira em Budapeste o chefe dos serviços médicos nacionais. "De 15 a 22 de julho, a temperatura média diária permaneceu acima dos 30°C na maior parte do país. Neste período, a taxa de mortalidade se elevou cerca de 30% no centro da Hungria em comparação com a média normal de um dia de verão", informou Ferenc Falus, chefe dos serviços médicos.

"Isto significa que nesta região o calor causou a morte de 230 pessoas que, junto com os números nacionais, perfazem uns 500 mortos", completou Falus.

CALOR QUE MATA...II


Quarta, 25 de julho de 2007, 10h55 Atualizada às 11h24
Calor causa incêndios e mortes no Leste Europeu

Uma onda de calor com máximas de até 45ºC deixou dezenas de mortos e provocou incêndios em milhares de hectares de florestas nos Bálcãs e no Leste Europeu nos últimos sete dias.

» Onda de calor mata 500 húngaros
» Onda de calor na Romênia mata 30
» Registrado recorde de consumo de energia

Na Grécia, três pessoas morreram em conseqüência das temperaturas altas. Os meteorologistas previam para hoje a máxima de 45ºC à sombra. É o dia mais quente da onda de calor da última semana. Acompanhado por fortes ventos, o calor gerou cerca de 100 incêndios florestais por dia, com 40 mil hectares queimados e cinco bombeiros mortos na luta contra o fogo.

O maior número de vítimas foi na Romênia, com 30 mortos por hipertermia desde 16 julho. No fim de junho, uma primeira onda de calor matou 33 pessoas. O Ministério da Saúde romeno informou que as ligações de emergência para ambulâncias subiram 30%. Só na terça-feira, o número de pessoas desmaiadas nas ruas subiu para 869 em todo o país. Além disso, cerca de 19 mil pessoas pediram assistência médica.

O calor tem graves conseqüências econômicas para a Romênia, pois a seca provocou danos estimados em 1,5 bilhão de euros na agricultura, reduziu a produção energética e provocou a suspensão de 20% das exportações.

Já para os búlgaros, este verão europeu foi o mais intenso dos últimos 120 anos e foi acompanhado por chamas que arrasam florestas: só nas últimas 24 horas, tinham surgido 22 novos focos de incêndio. A circulação atmosférica que leva ar quente do norte da África elevou os termômetros para um recorde histórico: 44,8ºC na terça-feira em Sevlievo (centro da Bulgária). Hoje as temperaturas começaram a apresentar leve queda.

A Turquia também vive o verão mais quente dos últimos 50 anos, com temperaturas médias que superam as dos anos anteriores em até 10 graus. No sudeste do país, os termômetros chegaram a 47ºC. Na cidade de Edirne (fronteira com a Grécia), o governo turco decidiu conceder dois dias de ponto facultativo aos funcionários públicos com problemas de saúde e às grávidas.

Segundo fontes em hospitais ouvidos pela agência Efe, foi houve aumento de 10% no número de pessoas internadas por problemas de saúde devidos às altas temperaturas. Mas, por enquanto, o índice de mortalidade aumentou. A situação começava a se acalmar hoje na Croácia, na Sérvia e na Hungria, onde as temperaturas diminuíram em até 10 graus em relação à véspera.

Na Hungria, as autoridades decidiram suspender o alerta de terceiro grau (mais alto), em vigor até terça-feira, e calcularam que a mortalidade durante o calor aumentou 30%, com 500 mortes a mais que "em dias normais".

Os números são apenas projeções e não se referem a casos de mortes diretas pelo calor, mas ao número total de mortes, ponderou a médica Anna Báldy, vice-diretora do Instituto de Saúde Ambiental. Ela acrescentou que na Hungria nunca fez tanto calor durante tanto tempo, por isso não existem "dados que poderiam ser comparados cientificamente".

Na Sérvia, cerca de 2,5 mil hectares de floresta estavam pegando fogo hoje, mas só em poucas áreas os incêndios permaneciam fora do controle. Hoje, a temperatura diminuiu em quase 10 graus em todo o país. Centenas de hectares de floresta também estavam incendiados na província sérvia do Kosovo.

Na vizinha Macedônia, 25 incêndios permaneciam ativos, vários fora de controle, disse Elena Potsevska, porta-voz do Centro de Gestão de Crise. Havia incêndios florestais também em Montenegro e na Croácia, nas regiões do litoral adriático.

Duas pessoas morreram em função do calor na Croácia, que hoje se refrescou para 30 graus, mas a mudança climática chegou a alguns lugares com tempestades que danificaram telhados, automóveis e plantações.

CALOR QUE MATA...


Último verão europeu foi o mais quente em 500 anos, diz estudo


banhistas em Trafalgar
No último verão, fontes se transformaram em piscinas públicas na Europa
O último verão europeu foi o mais quente dos últimos cinco séculos no continente, segundo pesquisadores suíços.

"Quando se considera a Europa como um todo, foi o verão mais quente", disse o professor Juerg Luterbacher, da Universidade de Berna.

O invernos europeus também estão ficando mais quentes, segundo o estudo publicado na revista Science desta semana.

As temperaturas médias no inverno e no ano nas últimas três décadas também foram as mais quentes em 500 anos, diz a pesquisa.

Camadas do solo

O professor Luterbacher e sua equipe recolheram informações de toda a Europa e analisaram a história da temperatura no continente.

Eles analisaram troncos das árvores e camadas do solo desde 1500.

Segundo a pesquisa, nesses cinco séculos, houve diferentes tendências climáticas no continente, de aquecimento e de esfriamento.

O segundo verão mais quente no período foi em 1757 e foi seguido de um resfriamento.

Verão mais frio

O verão mais frio foi em 1902 nesses 500 anos.

Segundo os pesquisadores, desde 1977 há "uma tendência de aquecimento excepcionalmente forte e sem precedentes", que resultou na onda de calor do verão passado.

Autoridades em diferentes países europeus têm confirmado que milhares de pessoas morreram no verão de 2003, devido ao calor excessivo.

O estudo dos pesquisadores suíços não trata da questão controversa da influência humana sobre as mudanças climáticas.

"Não fazemos análise da influência humana", disse Luterbacher.

"Não tentamos determinar as causas. Apenas relatamos o que encontramos."