19 de mai. de 2007

ÔMEGA 3 X CÂNCER



Ômega 3 'detém câncer de próstata', diz estudo

O salmão está entre os peixes cuja carne é rica em gordura ômega 3
Uma dieta rica em peixes gordurosos – como salmão, atum, cavala e anchova, entre outros – pode reduzir as chances de se desenvolver as formas mais agressivas de câncer de próstata, de acordo com uma pesquisa do Instituto Paterson, na Grã-Bretanha.
O estudo, publicado pela revista especializada British Journal of Medicine, indica que as células cancerosas não conseguem migrar para tecidos saudáveis quando o paciente tem uma alimentação rica em gorduras do tipo ômega 3, encontradas nos peixes gordurosos.
Os cientistas, baseados no Hospital Christie, de Manchester, testaram os efeitos de dietas ricas em dois tipos de gordura, a ômega 3 e a ômega 6, encontrada em nozes, sementes e óleos vegetais.
No entanto, o efeito da gordura Ômega 6, que também traz importantes benefícios para a saúde, em pacientes de câncer de próstata é o inverso: o estudo indica que a transmissão das células doentes para a medula óssea foi aumentada.
'Fontes de energia'
Os pesquisadores acreditam que as células cancerosas podem utilizar as gorduras ômega 6 como fonte de energia para manter a sua alta taxa de reprodução e criando moléculas que controlam a migração.
"É possível que uma dieta saudável e balanceada com estes dois tipos de gordura, já que é a quantidade de ômega 3 necessária equivale a apenas a metade da quantidade de ômega 6, impeça a proliferação do câncer", afirmou o pesquisador Mick Brown.
O chefe da equipe de cientistas, Noel Clarke, também suspeita que uma dieta equilibrada entre os dois tipos de gordura possa conter o câncer de próstata.
"Essa dieta pode ajudar a manter o câncer dentro da própria próstata, onde ele pode ser monitorado com segurança e mais facilmente combatido com cirurgia ou radioterapia."

VENENO DE ESCORPIÃO CONTRA CÂNCER ?



Veneno sintético de escorpião é usado contra tumor

Gliomas estão entre os casos mais graves de tumor cerebral
Pesquisadores desenvolveram uma espécie de veneno de escorpião sintético para ser usado no combate a tumores no cérebro.
O veneno é um portador de material radioativo que atua em células que continuam no corpo depois de cirurgias de remoção de tumores.
De acordo com artigo publicado na revista científica norte-americana Journal of Clinical Oncology, a técnica foi testada em 18 pacientes e outros casos ainda serão estudados.
Resultados preliminares indicam que o tratamento é bem tolerado e pode ser eficiente no combate a tumores.
O tratamento é sugerido para casos de glioma, uma forma grave de tumor cerebral. Pacientes com glioma têm apenas 8% de chances de sobreviver nos dois anos após o diagnóstico. Em cinco anos, a probabilidade é de 5%.
Sobrevivência
Apesar dos avanços nas técnicas de cirurgia, radioterapia e quimioterapia, houve poucas vitórias da ciência no campo dos gliomas.
Cientistas do Cedars-Sinai Medical Center, na Califórnia (Estados Unidos), fizeram suas pesquisas usando TM-601, uma versão sintética de um peptídio que é encontrado no escorpião gigante amarelo israelense.
O peptídio tem a capacidade singular de ir da corrente sangüínea diretamente para o cérebro, e consegue afetar células de glioma.
Todos os pacientes submetidos aos testes haviam passado anteriormente por cirurgias de remoção de tumor.
A dose de TM-601 foi administrada entre 14 e 28 dias depois de cada operação através de injeção. Seis pacientes receberam doses extras da droga.
Um dos principais objetivos do estudo era avaliar a tolerância das pessoas às doses. A pesquisa registrou poucos efeitos colaterais.
A média de tempo de sobrevivência dos casos analisados foi de 27 semanas, mas dois pacientes resistiram por 33 e 35 meses após as cirurgias.
Análises de laboratório mostraram que a maior parte da radioatividade transmitida pela droga desapareceu depois de 24 horas.
O pouco de radiação que sobrou ficou localizada na cavidade do tumor, o que sugere que a droga reagiu com células do tumor, e não com as células normais do cérebro.
"Nós estamos usando o TM-601 principalmente como uma substância para conduzir o material radioativo para as células de glioma, mas dados sugerem que ele também pode diminuir o ritmo de crescimento de células de tumores", afirmou neurocirurgião do Cedars-Sinai Medical Center, Adam Mamelak, um dos autores do estudo.

VACINA PARA CÂNCER



Útero: Vacina evita 75% das mortes por câncer

As vacinas impedem a contaminação por HPV
Uma nova vacina desenvolvida para prevenir o câncer de colo do útero poderia evitar 75% das mortes causadas pela doença se fosse oferecida a todas as meninas com 12 anos de idade, segundo um estudo do laboratório GlaxoSmithKline.
A vacina Cervarix atua evitando a infecção pelos tipos mais comuns do vírus papilomavírus humano (HPV, na sigla em inglês), a maior causa deste tipo de câncer.
As conclusões da pesquisa sobre a vacina foram apresentadas na Conferência Internacional do Papilomavírus, juntamente com um estudo sobre a vacina Gardasil, do laboratório rival Sanofi Pasteur.
A Gardasil está próxima de conseguir uma licença para ser administrada na Europa, enquanto a Cervarix ainda está em fase de estudos e deve levar pelo menos um ano para ser aprovada.
"A vacinação contra o HPV é muito promissora em termos de uma redução no número de casos de câncer de colo do útero e na prevenção de mortes", disse a médica Anne Szarewski, da ONG Cancer Research UK.
Brasil
A infecção pelo HPV é a doença sexualmente transmissível mais freqüente na população feminina brasileira.
Calcula-se que, no país, algo entre 10 e 40% das mulheres sexualmente ativas sofram desta infecção.
Apesar de menos de 1% das infectadas desenvolverem efetivamente o câncer de colo uterino, a doença representa no Brasil a terceira causa mais freqüente de câncer entre as mulheres, atrás apenas do de pele não-melanoma e do de mama.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer, as estimativas da incidência de câncer no Brasil para 2006 apontam a ocorrência de 19.260 novos casos de câncer do colo do útero.
O Instituto Brasileiro de Controle do Câncer afirma que o Brasil é um dos cinco países mais atingidos pelo vírus e alerta que a detecção do HPV e das lesões pré-malignas é tardia no país, já que grande parte das brasileiras não tem acesso aos exames ginecológicos periódicos.

CÂNCER DE MAMA.





Grã-Bretanha considera seleção genética contra câncer de mama

Embriões podem ser tetados para detectar genes que causam doenças
Dois casais britânicos com longos históricos familiares de câncer de mama querem ser os primeiros a submeter embriões a testes para prevenir que seus filhos desenvolvam a doença no futuro.
Os médicos irão selecionar embriões que não contenham o gene BRCA1. Esse gene aumenta o risco de câncer de mama entre 60% e 80%, mas que não significa que a pessoa irá necessariamente desenvolver a doença.
Até agora, esse tipo de teste – chamado diagnóstico genético pré-implantação – só foi aprovado para detectar genes que sempre causam doenças quando herdados, como acontece com a fibrose cística.
O exame consiste em testar embriões geneticamente em laboratório. Para isso, os embriões precisam ser concebidos através da fertilização in vitro.
Opção
O médico Paul Serhal, do University College Hospital de Londres, já fez o pedido para realizar o teste que detecta o gene BRCA1 e a Autoridade de Fertilização e Embriologia, inicialmente, concordou.
A decisão final deve sair nos próximos meses.
“O que nós estamos fazendo aqui é dar aos pais a opção de poupar seus filhos do trauma que enfrentaram e erradicar essa transmissão genética que está acontecendo de geração para geração”, disse Serhal.
Um dos casais que buscam aprovação para o teste é Helen e Matthew, da cidade britânica de Bedford.
“Eu vivi boa parte da minha vida com o câncer, a morte e o medo de que eu possa ter que enfrentar a doença ou passá-la para meus filhos”, disse Helen, de 22 anos, ao jornal The Times.
“O teste nos dá a chance de garantir que nossas filhas não passarão pela mesma experiência.”
Críticas
Mas críticos dizem que a aprovação desse tipo de teste pode abrir caminho para a criação dos chamados “designer babys” (bebês de designer, em tradução-livre), quando embriões seriam testados e selecionados com base na aparência física e inteligência.
Outro problema é o fato de que os embriões que contém o gene serão destruídos.
“Esse não é um caminho aceitável. Não é uma solução ou uma cura para o câncer de mana. Isso já está indo em direção à busca pela perfeição”, disse Josephine Quintavalle, da organização Comment on Reproductive Ethics.
Já para Sarah Rawlings, da ONG Breakthrough Breast Cancer, “a decisão de usar testes embrionários para doenças como câncer de mama é complexa e uma questão muito pessoal”.
“Mulheres com históricos familiares de câncer de mama nos dizem que o que é certo para uma mulher pode não ser a melhor opção para outra”, disse.
“É importante que qualquer um afetado tenha acesso à informação apropriada e apoio para que possa tomar a decisão mais adequada.”

CÂNCER E GENOMA



DNA de cuíca pode ajudar na cura do câncer de pele

O pequeno marsupial é encontrado em árvores da América do Sul
Um marsupial da América do Sul chamado no Brasil de cuíca teve seu código genético revelado e, segundo cientistas, a descoberta pode ajudar no combate de doenças como câncer de pele, colesterol alto e paralisia espinhal.
Esta é a primeira vez que o DNA de um marsupial tem sua seqüência desvendada. A pesquisa foi publicada nas revistas científicas Nature e Genome Research.
O pequeno marsupial é usado em laboratórios como um "modelo" experimental para o estudo das causas de doenças humanas, como câncer e problemas neurológicos.
O estudo é parte de um grande projeto para comparar a bioquímica de uma série de animais, como a do Homo sapiens, para entender melhor como o corpo humano é construído e mantido e como todas as espécies se diferenciaram.
"A idéia é obter a informação da seqüência de genoma de organismos que são parentes apropriadamente distantes de nós na árvore da vida", disse Adam Felsenfeld, do Instituto Nacional de Pesquisa em Genoma dos Estados Unidos.
"Por exemplo, ao enfileirar as seqüências é possível detectar regiões do genoma que não mudaram, estão conservadas (...) ou então que estão mudando rapidamente", acrescentou.
Diferente
O trabalho para decifrar o genoma do marsupial foi liderado pelo Instituto Broad do MIT e Harvard em Cambridge, Massachusetts.
O marsupial - cujo nome científico é Monodelphis domestica - vive em árvores da América do Sul, é pequeno e de pêlo cinzento. A facilidade de reprodução, entre outros fatores, torna o pequeno marsupial a criatura predominante em estudos de laboratório do mundo todo.
Mamíferos marsupiais (cangurus etc.) têm relações próximas com mamíferos de placenta (humanos, camundongos etc.), mas nem tanto. Marsupiais têm entre 18 mil e 20 mil genes, humanos têm entre 20 mil e 25 mil.
O último ancestral comum dos dois tem cerca de 180 milhões de anos. E os marsupiais mantêm seus filhotes do lado de fora do corpo, às vezes em uma bolsa.
"Este marsupial é um pouco diferente, pois os filhotes não são mantidos em uma bolsa, eles apenas ficam pendurados nos mamilos do animal", disse Jenny Graves da Universidade Nacional da Austrália.
Doenças
Os pequenos marsupiais são os únicos mamíferos - além dos seres humanos - a desenvolverem o melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pele, apenas como resultado à exposição à luz ultravioleta.
Como o câncer é causado por danos ao DNA, o genoma vai aumentar a utilidade do marsupial como um organismo de laboratório para desenvolvimento de novos tratamentos.
Os recém-nascidos do marsupial não têm sistema imunológico e, ainda assim, sobrevivem em um ambiente aberto, fora da mãe. Observando os genes, os cientistas poderão decifrar a razão de tanta resistência.
A pesquisa também mostrou que os recém-nascidos do marsupial são capazes de fazer crescer novamente a medula espinhal, mesmo se esta for cortada.
"O genoma não nos disse exatamente como eles fazem isso, mas nos fornece um projeto para mais estudos e para sermos capazes de aplicar alguns destes conhecimentos aos humanos", disse Chris Gunter, editor de biologia da Nature.